Enquanto nas altas montanhas dimensionais o dragão de sete cabeças começava a verter os gases mortíferos e comburentes por entre os canais de sua língua anestesiada, na Terra o efeito foi imediato, embora invisível para a grande maioria. Uma calmaria estranha, quase densa, começou a se espalhar pelas cidades. Para a ciência humana, tratava-se apenas de uma sutil flutuação na pressão atmosférica; para os seres de pura luz, porém, era o sinal inequívoco de que a operação de resgate precisava começar.
Esses seres protetores, que as antigas tradições humanas chamavam de mensageiros ou arcanjos, não possuíam corpos de carne e osso. Eram feitos de pura frequência vibratória, vestindo mantos de energia que cintilavam entre o azul profundo e o dourado. Há milênios eles monitoravam a Terra a partir de bases camufladas na estratosfera, operando muito além do alcance dos radares humanos. Eles eram os Sentinelas do Silêncio.
O líder deles, cuja assinatura energética emanava uma autoridade serena, fitava as telas holográficas que monitoravam a mente coletiva da humanidade.
— O dragão está silenciando — anunciou ele, e sua voz vibrou diretamente na consciência dos outros sentinelas. — A serpente cósmica conseguiu injetar a primeira dose de torpor na terceira cabeça. As pragas e os portais biológicos na Terra estão se fechando, mas o preço é alto. O pensamento dos humanos começou a desacelerar. Se a frequência deles cair demais sob o efeito do veneno, eles esquecerão quem são.
— O bloqueio intergaláctico nos impede de descer e intervir abertamente — alertou um dos sentinelas, cuja luz oscilava em preocupação. — Como faremos para que eles colaborem nesta guerra se nem sequer sabem que ela existe?
O líder sorriu, e sua luz expandiu-se em um tom caloroso.
— Nós não precisamos violar as leis do universo. Nós temos os nossos Faróis. Refiro-me aos humanos cuja mente é fértil o suficiente para captar os nossos pensamentos através dos sonhos, da arte e da intuição pura. Nós vamos soprar a verdade no cérebro daqueles que sabem ouvir. Quando eles transformarem nossa energia em palavras, em pinturas e em música, a humanidade começará, finalmente, a acordar.
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