A crise da carne fraca
Estamos acompanhando a crise da carne “fraca”. Mesmo que nada do que foi denunciado seja comprovado, a operação por si só já indica que existem problemas. Neste caso, investigações no processamento devem ser realizadas para descobrir as causas do problema e encontrar soluções.
Estamos acompanhando a crise da carne “fraca”. Mesmo que nada do que foi denunciado seja comprovado, a operação por si só já indica que existem problemas. Neste caso, investigações no processamento devem ser realizadas para descobrir as causas do problema e encontrar soluções.
As inúmeras legislações
que as empresas brasileiras de alimentos devem seguir, tanto nacionais para consumo interno quanto
internacionais para exportações, são muito criteriosas e, se forem corretamente seguidas, não há espaço para adulterações.
A produção de alimentos deve garantir um produto de altíssima qualidade e
prezar pela segurança de toda a cadeia envolvida no processo. O potencial de
riscos de doenças e até de óbito para alguém que consome um alimento impróprio
para consumo é enorme.
No caso da proteína animal, o processo de
produção deve ser minimamente detalhado.
Um pequeno deslize em qualquer etapa deste processo produtivo pode alterar a
qualidade e confiabilidade do produto final. Os profissionais envolvidos
devem ser altamente capacitados. E uma das áreas de alimentos mais difíceis de
atuar são os frigoríficos. A legislação e fiscalização constante são os
principais colaboradores para garantir produto íntegro e jamais devem
compactuar com erros.
Todos têm responsabilidades. Os consumidores estão
corretos em suas exigências, considerando que são os verdadeiros patrões da
indústria, pois são eles quem compram o produto. O efeito cascata de qualquer
problema pode gerar catástrofes
econômicas e ambientais, mundialmente.
Porém estes mesmos consumidores devem ser capazes de perceberem que não há
procedência para tudo o que se diz, ouve, lê ou assiste. Em tempos de concorrência acirrada, não é
incomum, embora anti-ético, que aconteça divulgação de interpretações erradas.
Exemplo disto é o caso do aipim, matéria-prima utilizada no fabrico de tapioca,
onde más interpretações são divulgadas dizendo que o ácido cianídrico continua
no produto final, porém ele é degradado no processo durante a etapa de lavagem
da matéria-prima. O ácido cianídrico, um componente tóxico liberado pela
linamarina através de hidrólise enzimática, é uma substância que se ingerida ou
inalada representa perigos à saúde e de envenenamentos.
Finalmente, de tudo o que foi exposto, o mais
importante está relacionado à bioquímica do alimento. São nas características
bioquímicas dos alimentos que a lei e regulamentos se baseiam. Caso o processamento
dos alimentos e análises físico-químicas e microbiológicas não forem realizados com embasamento
científico, resultado de pesquisas, testes e experimentos, tal alimento
poderá tornar-se impróprio para o consumo, devido à problemas na produção do
mesmo.
*Artigo Publicado em um blog de notícias local em março de 2017.
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