quarta-feira, 21 de junho de 2017

A crise da carne fraca
Estamos acompanhando a crise da carne “fraca”. Mesmo que nada do que foi denunciado seja comprovado, a operação por si só já indica que existem problemas. Neste caso, investigações no processamento devem ser realizadas para descobrir as causas do problema e encontrar soluções.
As inúmeras legislações que as empresas brasileiras de alimentos devem seguir, tanto nacionais para consumo interno quanto internacionais para exportações, são muito criteriosas e, se forem corretamente seguidas, não há espaço para adulterações. A produção de alimentos deve garantir um produto de altíssima qualidade e prezar pela segurança de toda a cadeia envolvida no processo. O potencial de riscos de doenças e até de óbito para alguém que consome um alimento impróprio para consumo é enorme.
No caso da proteína animal, o processo de produção deve ser minimamente detalhado. Um pequeno deslize em qualquer etapa deste processo produtivo pode alterar a qualidade e confiabilidade do produto final. Os profissionais envolvidos devem ser altamente capacitados. E uma das áreas de alimentos mais difíceis de atuar são os frigoríficos. A legislação e fiscalização constante são os principais colaboradores para garantir produto íntegro e jamais devem compactuar com erros.
Todos têm responsabilidades. Os consumidores estão corretos em suas exigências, considerando que são os verdadeiros patrões da indústria, pois são eles quem compram o produto. O efeito cascata de qualquer problema pode gerar catástrofes econômicas e ambientais, mundialmente. Porém estes mesmos consumidores devem ser capazes de perceberem que não há procedência para tudo o que se diz, ouve, lê ou assiste. Em tempos de concorrência acirrada, não é incomum, embora anti-ético, que aconteça divulgação de interpretações erradas. Exemplo disto é o caso do aipim, matéria-prima utilizada no fabrico de tapioca, onde más interpretações são divulgadas dizendo que o ácido cianídrico continua no produto final, porém ele é degradado no processo durante a etapa de lavagem da matéria-prima. O ácido cianídrico, um componente tóxico liberado pela linamarina através de hidrólise enzimática, é uma substância que se ingerida ou inalada representa perigos à saúde e de envenenamentos.

Finalmente, de tudo o que foi exposto, o mais importante está relacionado à bioquímica do alimento. São nas características bioquímicas dos alimentos que a lei e regulamentos se baseiam. Caso o processamento dos alimentos e análises físico-químicas e microbiológicas não forem realizados com embasamento científico, resultado de pesquisas, testes e experimentos, tal alimento poderá tornar-se impróprio para o consumo, devido à problemas na produção do mesmo.

*Artigo Publicado em um blog de notícias local em março de 2017.

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