segunda-feira, 13 de julho de 2026

O florescer entre as linhas brancas

Quatro vezes o mundo fechou as portas

Não por crimes, por fúria ou escoltas,

Mas por um corpo em desalinho forçado.

Se buscarem meus passos nas leis do Estado,

Não há manchas, nem sombras, nem traço agressor:

Sou a calma que busca o chão habitado

Quando a mente se perde de sua própria cor.

​Se um dia a fraqueza me fez adoecer,

Não carrego a sentença de eterno castigo;

Não aceito a moldura de quem quer dizer

Que serei para sempre refém do perigo.

Que cura é esta, de grades e espanto,

Onde o próprio remédio faz mais mal que a dor?

Um ciclo que amarra, que estende o pranto,

E nunca liberta quem busca o valor.

​Chamam de luxo o que isola e encerra,

Mas o escudo que escolho e aceito tomar

É pra ter calmaria e vencer essa guerra

De um mundo lá fora que insiste em surtar.

Cresci vendo máscaras caírem ao vento,

E fiz do papel meu caminho e meu norte:

Transformo o silêncio no meu próprio sustento,

Pois na minha escrita a minh'alma é mais forte.

Não aceito o silêncio que o medo costura,

Pois as vozes que escuto se fazem canção.

Minha cura brotou da própria escrita pura,

Transformando as paredes em imensidão.

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