sexta-feira, 27 de março de 2026
A cadeira presidencial e a estética da instabilidade: do sacrifício antigo ao risco moderno.
domingo, 15 de março de 2026
O espelho de Narciso no Altar do Estado: a ilusão de ser o poder
Existe um fenômeno que ascendem aos degraus das instituições: a miopia do privilégio. Ao sentarem em cadeiras que pertencem a história, e não ao ocupante, muitos deixam de enxergar a fronteira que separa o homem comum da dignidade do cargo.
Como observai recentemente: Existe uma confusão entre o público e o privado, e os que passam pelo poder se sentem acima dele.
Está frase não é apenas um diagnóstico do presente, mas uma patologia antiga. Na ciência política chamamos isto de patrimonialismo - essa herança arcaica onde o gestor enxerga a coisa publica como seu próprio quintal. É o momento em que a res pública (a coisa de todos) é sequestrada em interesse do "eu".
Quando alguém se sente "acima do poder" ocorre uma ruptura perigosa. Max Weber já nos alertava que a modernidade exige impessoalidade. O Estado não não deve ter rosto , nem vontade própria, ele deve ter leis. No entanto, a embriaguez do cargo faz com que o indivíduo confuda a autoridade em que lhe foi emprestada com uma virtude inerente a sua própria alma.
Hannah Arendt, em sua brilhante análise sobre o espaço público, ensinava que a política é o lugar do bem comum e da liberdade. Quando os desejos privados, as vaidades e as necessidades pessoais invadem esse espaço, a política morre. O que sobra é apenas o exercício bruto de uma vontade que se julga soberana sobre as regras que a criaram.
A confusão entre o público e o privado não é apenas um erro administrativo, é uma falha ética. É o esquecimento que na democracia ninguém está acima da lei - especialmente aqueles que têm o dever de fazê-la cumprir.
Para além das leis e das estruturas, há o fator humano. O poder tem uma capacidade perigosa de alterar a percepção de si mesmo. Quando o indivíduo se despe de seu papel de cidadão comum para vestir a roupa do cargo, ele muitas vezes se perde na própria vaidade. O sentir-se acima é uma falha de caráter e de humanidade: é o ego silenciando a humildade necessária para servir o outro. É o fator humano, em sua fase mais frágil, sucumbindo a tentação de ser tornar excepcional.
Manter a integridade diante da autoridade parece ser um dos maiores desafios da jornada humana. O poder oferece uma ilusão de onipotência que seduz até as mentes mais bem intencionadas. Não se deixar corromper - seja pela ganância, pela vaidade ou pela simples comodidade do privilégio - exige uma vigilância constante e um humildade quase heróica.
Não bastasse a confusão ética, há uma confusão financeira que beira o obsceno. Muitos acreditam, erroneamente, que o dinheiro público existe para alimentar a engrenagem de manutenção de partidos e campanhas. É um volume de recursos tão vasto, um dinheiro dançando nas mãos de quem detém a caneta, que a população não consegue mensurar o que seria possível construir com tais cifras.
Quando o recurso que deveria servir ao bem comum é sequestrado para garantir a perpetuação no poder, o Estado deixa de ser um provedor de justiça para se tornar um caixa eletrônico de conveniências políticas. O "sentir-se acima do poder" ganha, então, sua face mais perversa: a de quem gasta o que é de todos como se fosse fruto de sua própria herança.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Os loucos são os outros
Os loucos são quem não conseguem sintonizar o cérebro na mesma frequência que eu consigo.
Dizem que a loucura mora no que não se compreende, mas a verdade é que os loucos são apenas aqueles que não alcançam essa sintonia. Não é falta de juízo, é excesso de percepção: enquanto o mundo se perde no ruído, eu sigo frequências que poucos conseguem captar
O que chamam de loucura, eu chamo de visão. Afinal, quem define o que é real quando o sinal é restrito a poucos? Minha frequência não é para qualquer receptor.
Os loucos não são capazes de perceber o desenvolvimento cérebral, e enxergam como doença um tipo de mutação no cérebro da gente.