terça-feira, 23 de novembro de 2021

O chute.

Tenho transtorno bipolar. Mantenho tratamento. Mais pelos outros que por mim. Minha família cuidou de mim, por amor a mim e a eles, porque seria humilhação ver alguém da família dando vexame na rua. Se um dia eu resolver ficar sem remédio e sem consciência estarei liberta. Se um dia estiver sem consciência na rua nem a legislação acho que permite, mas eu serei eu mesma, feliz. 

Porque posso perder a consciência novamente? Claro que posso, não tenho ninguém dependendo de mim, sou livre leve solta, posso chutar o balde o tanto que quiser, até o limite de meu cérebro.

Há doentes mentais que amam ficar com os efeitos delirantes da doença, preferem não receber tratamento adequado. Outros não recebem tratamento adequado por falta de recursos. Eu estou cansada de fazer tratamento, complicado. Parece que fico implorando ajuda, embora não negada, me sinto desgastada, e algumas pessoas se sentem no direito de interferir por pequenas coisas. O difícil é que é crônico, além de ter altos gastos. A vontade não é simplesmente desistir, é chutar o balde. 

Só para refletir é que vivemos em sociedade cheia de regras, que se vc foge das regras em determinada fração considera-se insanidade. Estas regras foram impostas por grupos, que podem também estarem problemáticos. O meio ambiente que você vive é fator também relevante para causar doenças mentais. Ou seja, não adianta medicar com remédios e médicos simplesmente se dentro de seu lar, família, trabalho, escola, lugares que você frequenta estão com o ambiente numa frequência ruim, quero dizer, a colaboracao não é simplesmente: toma o remédio, fiz minha parte; os relacionamentos e o ambiente devem ser propícios a vida com qualidade e paz para todos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário