domingo, 30 de outubro de 2016

Alimento: um direito de todos.

Do pão ao vinho, todo alimento é sagrado, sua produção e consumo exige no mínimo responsabilidade. Que nunca falte comida para a humanidade, num mundo onde a "população cresce em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos em progressão aritmética". Que o desperdício e a desigualdade de distribuição de alimentos no mundo cesse, e o aproveitamento de terras e alimentos seja sempre melhorado.

Me preocupo não apenas se os alimentos são de qualidade e seguros, mas também se irá haver alimentos para todos no futuro. Institutos internacionais de pesquisas sobre produção de alimentos fazem estimativas e projetos no sentido de não faltar alimentos no momento atual e no futuro. Tudo indica que em 2030 o abastecimento de alimentos básicos estará garantido, mas não se sabe como será em 2050, pela escassez de água, terras produtivas limitadas e aumento populacional. Conheço pessoas ligadas ao setor agrícola dizendo que não tem porque se preocupar, que existe solução para tudo. Ouvi até sugestão de fazer edifícios de culturas para solucionar a falta de espaço no solo, quem sabe isto pode ser possível.

Faltou feijão no Brasil este ano por falta de gestão do governo, chegando a aumentar muito seu valor. Isto é apenas um exemplo que pode acontecer quando não se prevê e trabalha no abastecimento de alimentos de um país, nação e até no mundo.

Dizem que o consumo de insetos irá salvar o mundo da fome. Quando isto acontecer, ninguém vai ficar agoniado de saborear um prato de insetos produzidos com controle e qualidade. Tenho notícias de insetos sendo servidos como pratos nobres e típicos em regiões longínquas, e até formigas estão entrando na moda de pratos exóticos. Tenho a leve sensação de estar começando a ser introduzida de forma lenta e discreta este tipo de comida. Isto não parece ruim, pois na bíblia, que cita alguns alimentos consumidos por determinados povos, cita também que João Batista se alimentava de gafanhotos.

Na África chegam a caçar ratos e até mesmo a ingerir terra por causa da miséria e escassez de alimentos. Não existe tristeza maior que saber que isto existe. Na gastronomia molecular utiliza-se terra comestível, mas isto não tem nada a ver com o que ocorre em determinadas regiões africanas.


Ter a consciência de que um dia pode faltar alimentos é também uma forma de sobrevivência, porque assim alguma coisa pode ser feita para evitar tamanha catástrofe. 
Ora-pro-nóbis

Pela primeira vez na vida comi ora-pro-nóbis, apesar de sempre ter na roça de meu pai. Gostei muito, achei o sabor leve e neutro.

Ora pro nóbis: planta espinheira comestível, cerca viva. Alimento histórico, que saciou a fome de muitos escravos no período colonial brasileiro. Com alto valor nutricional, possui em torno de 25% de proteína, sendo conhecida também como carne de pobre. Desde a época da escravidão até os dias atuais, acontece dificuldade de acesso a este alimento.


A ora-pro-nóbis pode ser preparada em saladas, refogados, omeletes, com frango, em bolo, pães, entre outros. Tendo a oportunidade, compensa experimentar ou até mesmo incluir nos hábitos alimentares.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

E esse negócio de que tudo faz mal, ou tudo faz bem demais?

Como está cheio de informações de profissionais de saúde recomendando ou condenando alimentos. Está cada dia mais difícil escolher nossos alimentos básicos diante de tantas recomendações, em contradição a uma variedade e abundância de alimentos que são produzidos. Alguns falam que o óleo de canola faz mal, outros contradizem. Dizem que o ovo faz mal, e outros falam que faz bem. Falam mal de comidas industrializadas. Por favor, comida foi feita para saciar a fome, e não para usar como remédio. Se tudo que eu for comer, tiver que ficar pensando em calorias, proteínas, vitaminas, fibras, vou fazer da minha cozinha um laboratório e viver de testes. Comida boa é aquela que temos em casa. É bom ter uma noção e cultura de alimentos, mas temos que diminuir com a paranoia. O que tem demais, de vez em quando, a gente comer um snack, tomar refrigerante, sanduíche industrializado? Aposto que comem coisas muito pior, e nem imaginam. O negócio não aconselhado é fazer de um McDonald's um alimento básico, mas não vejo problema em ir um final de semana matar a vontade. Com certeza, comer arroz e feijão, com um tipo de proteína e saladas todos os dias é correto, mas passar vontade só porque querem ditar o que você come é demais. Concordo que, como clientes, temos que exigir da indústria alimentícia alimentos de qualidade. Mas o fato de utilizar aditivos e conservantes fez com que tivemos menos desperdício, mais abundância em alimentos e estes mais seguros. E a dosagem de conservantes não é assim tão alta ao ponto de chegar a fazer mal. E outra, ninguém fica comendo todos os dias, a todo momento, alimentos industrializados. O fato é: o ser humano tem necessidade de ter uma dieta variada, podendo até mesmo incluir estes alimentos que tantos profissionais da área da saúde condenam. Lógico, se a pessoa tem alguma restrição, como diabetes e alergias, realmente, aí tem que evitar o que não faz bem. 

E esse negócio de toda hora falar dos benefícios de determinado alimento? Acabei de ler um site falando da banana, de seus benefícios. Porém este site diz que deveríamos aumentar o consumo. Não é assim, banana engorda quando a pessoa tem uma dieta variada, então a pessoa deve comer, mas com moderação. Quando fala que ratos e pessoas emagreceram comendo banana, estes ingeriram apenas banana à vontade e nada mais. Ou seja, a pessoa emagreceu provavelmente por falta de algum nutriente, porque a banana não tem todos os nutrientes que a pessoa precisa no seu dia dia. É o mesmo que as dietas apenas de carboidratos, ou apenas de proteína; como vai faltar um nutriente no organismo, como consequência, a pessoa emagrece. Sabem quem é que mais ganha com essas pesquisas e divulgação de alimentos super saudáveis? A própria indústria de alimentos, porque você irá consumir mais determinados alimentos sabendo que ele é isso, faz bem para isso e mais isso.  Sendo que aquela comida que você está acostumada a comer e gosta, mas não faz parte da lista destas pesquisas, você acaba consumindo menos. 

O que eu percebo é que os alimentos estão virando moda, e sendo ditados como se fosse uma roupa de grife. Ou seja, vamos fazer de nossa dieta algo mais agradável, com menos preocupação, mais prazer, e claro, um pouquinho de responsabilidade. Lembrando daquela famosa frase: o que determina a diferença entre o remédio e o veneno é a quantidade.