Desde minha infância, como uma boa mineira do interior, vivo no meio rural. Aos finais de semana ia na fazenda de alguns parentes e que pertenceram aos meus antepassados. Aos meus 16 ou 18 anos fui visitar novas terras vizinhas adquiridas por eles, nunca antes visitadas por mim. Fui após o almoço sem dizer onde iria, mas com a intenção de destravar novas terras.
Subi o morro á cavalo, abri a porteira sem descer do cavalo. Andei numa estrada que parece a serra da saudade, onde se o cavalo deslizar o pé, a gente caia a ribanceira. Esta estrada parecia uma montanha circular, igual a serra da saudade quando se vai de Araxá á Belo Horizonte. Vi, durante esta estrada perigosa, um paredão/muralha igual ao paredão que se vê na abertura da casa das Sete Mulheres - lindo paredão, onde, ao olhar para baixo via-se exatamente um precipício, abismo sem fim.
Após isto, entrei num lugar que achei que estava no desenho da Caverna do Dragão: vi caveira de vacas, me senti perdida, não achava o caminho de volta, olhava ao meu redor, ao ângulo de 360 graus, apenas pastos e ceú. Via ao longe uma casa azul, onde resolvi ir até lá ver se tinha alguém para me ajudar. Percebi que quanto mais o cavalo andava, mais longe a casa ficava. Ao voltar, achei uma estrada que descia entre duas serras circular entre si. Resolvi então descer para procurar algum fim, mas a escuridão chegava, e não tinha fim, resolvi voltar.
Quando sai da estrada, eu prostrada, abaixei os ombros, soltei as rédeas do cavalo, e o cavalo saiu andando sem as rédeas e achou o caminho de volta.
Ufa! Fui chegar ao pôr do sol na sede da fazenda de meus tios, mas não tive coragem de contar que me perdi, de tanto sufoco que passei. Imagina se eu passasse a noite fria, sem casaco, perdida no meio do cerrado, com cobras, onças, lobos, bichos e assombração?
